Cavaleiros de Bronze: Kurumada abre o coração em entrevista à revista japonesa

10 de set. de 2026

Kurumada abre o coração em entrevista à revista japonesa

Em entrevista veículada na edição desta semana da revista Shūkan Shincho, lançada hoje (10) no Japão, o mangaká Masami Kurumada deu novos detalhes sobre o suposto golpe bilionário que sofreu. Confira abaixo alguns trechos da matéria:


Fala do Kurumada sobre ter confiado excessivamente no Sr. M, principal acusado pelo desvio de dinheiro.

​"O que venho criando ao longo de meio século são, consistentemente, mangás shonen. Não posso transmitir às crianças a mensagem de 'não confie nas pessoas'. Afinal de contas, os seres humanos são seres que valem a pena confiar, e a capacidade de confiar uns nos outros é exatamente o que nos torna nobres, não é mesmo?"
​"O M conhecia o meu caráter como ninguém, e foi justamente por isso que conseguiu cometer um ato tão audacioso"

Kurumada comenta sobre quando começou a desconfiar do Sr. M

"Eu deixava cadernetas bancárias, cartões e até os carimbos pessoais totalmente sob os cuidados do M. Confiava nele a esse ponto. Quando os problemas começaram a aparecer, eu nem imaginava que se tratava de uma quantia tão colossal. Pensei que, se fossem algumas dezenas de milhares de ienes, daria uma bronca e depois perdoaria dando risada. Mas, à medida que o panorama geral se revelou, percebi que tinha sido completamente traído, e uma sensação de impotência me tomou conta"

Kurumada fala sobre quando confrontou o Sr. M após descobrir os desvios.

​"Ele admitiu o desvio imediatamente. Quando o pressionamos com base nas evidências sobre o quanto havia tirado, ele afirmou ser algo em torno de 1,8 bilhão de ienes. Fizemos com que assinasse um termo de compromisso para devolver o dinheiro e o demitimos na hora. Porém, ao sair, o A disse algo inacreditável: 'Mestre, assim que este problema for resolvido, o senhor não poderia me contratar novamente?'. Ele com certeza achava que eu era o tipo de pessoa que perdoaria qualquer coisa"

O autor de Saint Seiya conta que Sr. M não quis assumir a responsabilidade pelo desvio total dos 4,6 bilhões de ienes de suas empresas

​"Ele zombou do fato de eu não ligar muito para dinheiro, achando que eu não perceberia a falta dos 2,8 bilhões restantes. Inclusive, em maio deste ano, recebi uma carta dele na qual escrevia, sem a menor vergonha:"
​(Mesmo após devolver tudo ao Mestre Kurumada, ainda não consigo arcar com a cobrança de 300 milhões de ienes em impostos nacionais que me restou.)
(Por isso, embora saiba que é um pedido extremamente inconveniente, venho solicitar a remoção da hipoteca.)
(Minha esposa me pediu o divórcio e sinto na pele a minha própria tolice por não conseguir cumprir meu papel de pai para com meus amados filho e filha.)
"Ele tentou apelar para o emocional, mas, para começo de conversa, a premissa de que ele está pagando pelo seu crime é falsa. Além disso, ele pede a remoção do registro provisório da hipoteca do seu apartamento, mas, se for assim, onde foram parar os 2,8 bilhões de ienes não devolvidos? Agora que entrei com o processo e o número de 4,6 bilhões veio a público, ele finalmente deve ter entrado em pânico ao perceber que 'a verdade inteira foi descoberta'."

Kurumada conta como era o comportamento de Sr. M quando ainda trabalhavam juntos

​"Na minha frente, ele sempre mantinha uma atitude mansinha, como um gato assustado. Mas, olhando para trás, havia muitos aspectos duvidosos. No negócio de licenciamento de personagens, às vezes as coisas eram usadas sem que houvesse relatório, contato ou consulta prévia. achando estranho, eu perguntava: 'O que é aquilo?', e o M dava respostas evasivas. Só que, nesses momentos, eu apenas o repreendia dizendo 'Relate da próxima vez' e deixava passar. Acho que isso não foi bom"

Kurumada comenta como eram feitos os desvios

"Em anos de pico, ele chegou a registrar mais de 50 milhões de ienes em despesas de representação e entretenimento. Parte do dinheiro deve ter sumido em futilidades, mas também pode ter sido usada para lavagem de dinheiro. A maior parte dos 1,8 bilhão de ienes que já recuperamos havia sido convertida em criptomoedas, mantidas em posse de três pessoas: o M, seu irmão caçula e uma mulher que aparenta ser diferente de sua esposa."

Advogado de Masami Kurumada fala sobre perspectivas de o caso se tornar um processo criminal

"Com um prejuízo dessa magnitude, a polícia não terá outra escolha a não ser agir. Além de o próprio indivíduo ter admitido o desvio de 1,8 bilhão de ienes, temos provas consolidadas, como históricos de transferência bancária, no que diz respeito aos 2,8 bilhões restantes."

Conhecido do Sr. M conta como ele se comportava longe da presença de Masami Kurumada 

"Há alguns anos, ele comentava com ostentação que sua esposa e filhos haviam ido morar no Havaí. Ele também frequentava clubes de luxo em Ginza e Roppongi com bastante frequência. No entanto, não era do tipo que jogava em cassinos ou apostas, então o que diabos ele fez com todo aquele dinheiro?"
"Quando bebia, sua atitude mudava drasticamente. Forçava as pessoas a virar copos e dava broncas com uma postura arrogante. Costumava se gabar dizendo: 'O Mestre Kurumada não entende como o mundo funciona, por isso eu é quem faço as coisas por ele'. Ele claramente sentia prazer em se exibir usando a autoridade do autor."

Kurumada faz uma reflexão sobre o caso

"Pode haver quem pense que sou ingênuo ou desligado do mundo. Longe disso. Nasci no bairro popular de Tsukishima, em Tóquio, e cresci cercado por adultos cheios de fibra. Na época do ensino fundamental, entregava jornais; no ensino médio, trabalhei duro em restaurantes de sushi e em fábricas metalúrgicas, vendo de tudo um pouco. Foi com base em toda essa experiência de vida que simplesmente decidi viver sob a regra de 'acreditar até o fim naqueles em quem decidi confiar'."

Kurumada comenta sobre o futuro do Sr. M

​"Para alguém que já passou dos 50 anos, acho difícil voltar a ser uma pessoa de bem. Porém, se ainda resta um pingo de coração humano nele, gostaria que ele olhasse para trás e refletisse sobre seus erros antes de morrer, para não ter do que se arrepender no último segundo. Eu não desenho mangás para ganhar dinheiro. Se ao menos ele conseguisse entender um pouco desse sentimento..."

A matéria termina com a informação de que a Kurumada Production tem recebido uma onda ininterrupta de mensagens de apoio e encorajamento enviadas por fãs do mundo todo.

Fonte: Shūkan Shincho

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